Sexta-feira, Janeiro 30, 2009

O legado da Borboleta

Havia um menino pequeno. Ele brincava muito, só, dentre galhos de goiabeira. Branca e vermelha. Duas árvores.
Saciava-se em suas brincadeiras e deliciava-se ao tocar o caule, perceber as cores vivas das folhas e frutas. E, na primavera, cheirava as flores. Branquinhas, enclausuradas em uma casca dura verde forte. Mas sempre lindas.
O menino, noutras vezes, subia no galho mais alto – a central de controle da nave-árvore – e ficava ali, guiando a frondosa para lugar algum. Entre viagens estelares, corridas contra os inimigos, raios lazer e mísseis incríveis, ele olhava para o longe. Como o mundo era grande! Muito mais do que aquele pedaço (que ele já julgava gigantesco) de terra que era o quintal da sua casa...
Descia, então, da goiabeira para tomar café. O sabor do café com leite somado ao pão com margarina era, pelo menos ao seu paladar, algo divino. Saciado, voltava ao solitário mundo repleto de sonhos.
Certo dia o menino achou algo que não havia visto antes. Era um animalzinho pequeno, peludinho, mas muito, muito bonito. Como havia sido alertado que exsistiam muitos insetos que podiam ser nocivos, chamou a mãe para ver.
-Isso é uma taturana! Ela queima! Não põe a mão nisso, não.
E ia atentar contra a vida da pobre. Ele, porém, interveio e impediu-a de acabar com a vida do pobre insetinho....
Aquele dia marcou-se em sua memória e, aos poucos, novas lagartas-taturana surgiam. Ele perdia-se em conjecturas: Para que serve a taturana? Porque ela queima? Como é que queima? Pensava e olhava-a atentamente, muito de perto, reparando nas suas cerdas peludas, cores (algumas eram vermelho-preto-amareladas, mas ele gostava mais das alvas). Sua incansável curiosidade levou-o à uma descoberta fenomenal: a taturana queimava pelas cerdas! Pelos Pêlos.
Maravilha! – pensou – Então posso pegá-la na mão por baixo!
Mal aguardava o dia seguinte. Ia experimentar sua tese. Chegou-se aos pés da gigante goiabeira. Procurou, afoito, as taturanas brancas. E lá estava uma! Alva! Linda! Tranquila....
Botou sua pequena mão no curso dela. A pequena estranhou o “terreno” macio que encontrara. Testou-o com suas antenas sensíveis e, finalmente, botou as patinhas frontais na pele jovem.
Foi subindo, subindo, pés ante pés, meio desconfiada. Mas, logo, passou a caminhar tranqüila na mão do menino, agora maravilhado.
Ele a olhava caminhando, em ondas, pela sua pele. E, quando a superfície de uma mão acabava, ele botava a outra no curso, a lagarta subia nela, e continuava caminhando... caminhando... Ele podia sentir cada passo dela, como uma cócegas, por toda sua pele. Não havia medo nenhum nos olhos ou mesmo nas atitudes do garoto. Somente uma sensação de beleza, de que uma criação tão bela, tão meiga, tão perigosa, tornara-se sua amiga.
Foi um dia lindo. Sua mente iluminou-se com novos horizontes! Nova vida foi criada dentro dele e agora, o menino solitário que vivia em um mundo de cores, imaginação, histórias fantásticas, tinha uma nova “amiga”. Aliás, muitas novas amigas.
Anos passaram. O menino já era um homem feito. Ainda imaginava muito. Ainda vivia solitário. Não havia tanta felicidade nele, como na infância, mas ainda maravilhava-se com pequenas coisas e coisas pequenas...
Borboletas, agora, o fascinavam. Criaturinhas lindas, belas, necessárias. Quando olhava para uma, sentia-se um pouco como na infância: maravilhado.
Um dia, sentado no seu computador, numa tarde qualquer, tocou o teclado com maciez e digitou, num site de busca, “borboleta”.
A definição da enciclopédia virtual atingiu-o como um raio! Uma das formas precedentes àquela criatura que agora o fascinava era, justamente, a taturana!
Todos dizem que a metamorfose da lagarta em borboleta é algo que vai do dantesco ao mágico, do feio (lagarta) para o belo (borboleta). Mas há tanta beleza nessa criatura, letal, mas linda...
Fases. Somente fases. Etapas de vida, ciclos que se completam. E são todos belos. E fim.

Segunda-feira, Setembro 01, 2008

Os gatos são, mesmo, animais impressionantes. Este fim de semana cui até a casa de um amigo meu e, enquanto ríamos dos acasos, um gato branco apareceu no muro, miando lascivamente. Fui até ele (é um impulso incontrolavel... quando vejo um gato TENHO que afagá-lo e ir ter com ele) e o bichano deixou-me chegar perto. Espere... deixar não é o verbo certo. Ele PERMITIU-ME a aproximação.

Aí ficou, num muro pré moldado finíssimo (parecia uma ginasta sobre o )botou um braço de um lado e o outro do outro e ficou ali, só recebendo o carinho que queria.

Os gatos são assim: cedem espaço quando querem. Sentem prazer quando querem. Matam e comem quando querem. Amam quando querem. E, igualmente, ignoram sempre que sua vontade "real" (porque sentem-se como reis) manda.

Hum... quero mesmo ter a motivação dos cães e essa realeza dos felinos.

Quinta-feira, Julho 17, 2008

Muita hora nesta calma... ainda estou aquecendo para escrever. Em vários sentidos, inclusive. Há várias pessoas que não sabem do meu blog e outras - que o tempo e o descaso - não leem mais por aqui.

Well...

Doses homeopáticas, então. Vou começar devagar. Uma vez por semana. Duas quem sabe.

Então, amigos, apareçam!

Sexta-feira, Julho 04, 2008

E chega a hora, sem demora.
Aguardo, com mãos suando
o momento de olhar nos olhos
de tocar a pele, nunca antes tocada
de ouvir a voz
de respirar seu doce perfume....

aguardo, dentro da tarde vazia
minutos são horas
momentos são eternidade

e, por segundos eternos a vejo
diferente
madura
linda, como sempre foi

seus olhos encontram os meus
suas mãos me tocam as mãos
sua voz acaricia-me

o tempo passa rápido.
acaba

um abraço tão próximo quanto o coração
tres beijos: respeito, carinho e amizade

Um coração feliz. Dois plenos de luz.

Ainda respiro seu perfume em minhas mãos...

Curitiba, 07 de janeiro de 2008 - 22h40

Sexta-feira, Junho 13, 2008

O rapaz encostou-se no poste, daquela mesma esquina de todos os dias, dos mesmos dias de sempre. Já era tarde e o ar cheirava a calma, sem a atribulação dos carros que, afoitos, passavam, trabalhavam e passeavam.

Chegou a loira. Era uma moça corpulenta, de rosto bonito e sorriso jovial, quase imaturo. Seus olhos eram dois glóbulos castanhos, mas com ranhuras negras, que tornava-os profundos e intensos. Ali dentro daquela retina jazia a efervercência e uma grandiosa necessidade de ser amada, de viver intensamente e descobrir mundos novos.

Seus olhos tocaram-se e, num instante, comunicaram-se. Ele achegou-se a ela, ofereceu-lhe um sorriso sincero de amor e carinho, abrochoou-lhe um beijo na face esquerda e, num gesto singelo, despediu-se dela. E ela foi-se, na imensidão daquela noite, que nada mais era que que mais uma noite.

Ficou só, encostado no poste, de testa franzida e pensamento fugidio. Seus mecanismos mentais perdiam-se e transformavam-se em universo... ou em vazio, talvez

O pensamento rompeu-se, súbito. Era aquele sorriso que ele conhecia muito bem. A japonesa, baixinha e cheinha que, de semblante iluminado, tocava-lhe o braço e abraçava-o calorosamente.

Aquele momento era único, como todos os outros. Era mergulhar, novamente, dentro da retina desta outra e transformar imagem em sentimentos e sensações. Refletia dentro da retina dela e vice-versa. Olhos brilhavam.

A pupila desta era diferente, cheia de tons castanho-claro-esverdeados. Tinha uma certa "maciez" (se é que isso é possível dentro dos olhos), uma clara sinceridade e uma força de paixão sem fronteiras.

Ele tocou-lhe o rosto, com suavidade, e beijou-lhe a testa - o beijo do respeito - e, com outro gesto rápido e sutil, despediu-se dela. Ela, também, foi-se. E seus olhos prometiam voltar, com um semblante levemente tristonho pela solidão do rapaz e a sua própria. Em seguida, trasformou-se em noite escura.

Lá se foi o pensamento dele, de novo. Vagava, iluminado pela luz do rosto desta última, pela melancolia dos seus gestos e pela fome intensa de carinho que tinha.

Olhou para os dois lados da rua, para o céu e para as pessoas que, distraídas ou retraídas, "transeuntavam". TOdos o interessavam. E eram muitos! Olhava o semblante de uma moça, a firmeza dura da expressão do vigilante, as curvas inesquecíveis da senhora bem cuidada e, dentre tantas pessoas, reconheceu uma.

E ela veio à sua presença. Meia idade, rosto bonito e mãe de família. Reafirmou o prazer de vê-lo assim, tão inusitadamente, fez-lhe um carinho no rosto e, entre promessas de contato, partiu.

Agora o rapaz, já cheio de semblantes e lembranças, tentou, em vão, lembrar-se dos olhos desta última. Ora, não teria lido a menina dos seus olhos? Esquecera-se? Talvez a única que não havia tocado a alma diretamente.
--Vamos? - Irrompeu aquela a quem ele esperava ali, naquele poste, naquela esquina, naquela tão comum noite - tanto como todas as outras.

Deu-lhe um beijo nos lábios finos e róseos, assentiu com a cabeça e desapareceu, junto dela, na imensidão do mundo dos sentimentos.

André Lopes - 06 de julho de 2007 - 10h57
Rescuscitado!!! Meu blog está sendo, agora, neste momento, instante, razão e circunstância, rescuscitado!

Vamos ver no que dá essa nova tentativa de ser eterno :D

Quarta-feira, Outubro 18, 2006

"adeus!
(boa viagem)
já vou!
(boa viagem)
Eu vou com Deus!
(boa viagem)
Eu vou, eu vou!"

Vou-me embora do Uga! Et genus omne. Estou de mudança para o Teatro silêncio,meu novo blog.
Aos que me visitaram e leram meus textos aqui, meu muito obrigado. Nos vemos em outras paragens.

Segunda-feira, Agosto 21, 2006

Penso que quero escrever, penso que não quero escrever.

Ah! Fala sério: este blog já era. Há tempos não escrevo direito e nem tenho disposição para tal. Há tempos não há leitores, e boa parte da culpa é minha por não postar nada.

Pessoas se foram. Leitores deixaram a net por passatempos mais proveitosos (ou não). O Orkut tomou o tempo de muitos. E eu penso em criar outro lugar para escrever. Senti-me tentado, até, em pedir um espacinho para o Boiko, mas não achei justo e também não queria uma url genérica para mim (como se a atual fosse exclusiva...).

O fato é que preciso escrever. É uma necessidade tão vital para mim quanto sorrir, fazer sexo ou ter contato com pessoas. E isso tem se tornado um problema, por causa da insistente inércia a que estou(ava) preso.

E, para piorar a situação, tento ajudar e me ferro de verde e amarelo. Ah! A lei de Murphy... tão sacana! Me pegou totalmente desprevenido em uma situação de domínio total de mim mesmo e quebrou todos os alicerces da minha convicção.

Agora a inquietação...

Bom, pelo menos me fez escrever.